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ESCOLA SUPERIOR AGRÁRIA É A ÚNICA INSTITUIÇÃO DE ENSINO SUPERIOR PORTUGUESA A MINISTRAR A LICENCIATURA EM AGRICULTURA BIOLÓGICA

A 1.ª fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior começa já no próximo dia 6 de agosto e a Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Coimbra (ESAC-IPC) é a única instituição de ensino superior em Portugal a lecionar uma licenciatura em Agricultura Biológica. Ainda nesta área, a Agrária de Coimbra oferece um Mestrado com a mesma designação e um Curso Técnico Superior Profissional (CTeSP) em Produção Agrícola Biológica.

Para os estudantes que vêm na agricultura biológica o seu futuro, a ESAC apresenta-se como uma excelente opção. Na Escola, a forte vertente prática que caracteriza o ensino superior politécnico é uma realidade, proporcionada pela existência de uma área certificada em agricultura biológica de 12,3 hectares, na qual os alunos podem aplicar no terreno o que vão aprendendo nas aulas teóricas. Este espaço, que compreende parcelas de horticultura, fruticultura, culturas arvenses, forragens e ainda plantas aromáticas e medicinais, encontra-se, aliás, em expansão.

Com efeito, a ESAC já deu os primeiros passos também na produção animal biológica, nomeadamente de galinhas poedeiras e coelhos, sendo que, neste contexto, estão a ser desenvolvidos, em parceria com a AGROBIO, com a BIOPROTEC e com um conjunto de produtores certificados da Zona Centro e Algarve, dois projetos de investigação: “CoelhosBio – Produção de Coelhos Biológicos” e “Gmóvel – Controlo de infestantes com galinhas na linha de vinha, pomares e entrelinhas das culturas hortícolas e produção de ovos e carne”.

São ainda muitos outros os projetos em curso na Escola, podendo mencionar-se, a título de exemplo, o projeto “EspumaBio”, que se trata da produção de Espumante Biológico e o projeto “LiveSeed”, dedicado à preservação de sementes em agricultura biológica, sendo que, precisamente neste domínio, a Agrária de Coimbra é a única escola no país que permite a formação dos seus alunos em técnicas de seleção e melhoramento de milho, com particular adaptação à agricultura biológica.

Como prova da importância e do contributo que a Agrária de Coimbra tem assumido nesta temática, pode igualmente referir-se a sua colaboração na definição da Estratégia Nacional para a Agricultura Biológica (ENAB) e a sua participação no Observatório Nacional para a Agricultura Biológica.

Em Agricultura Biológica a proteção das plantas é baseada na prevenção. Procura-se incrementar a limitação natural (favorecendo os auxiliares) e recorrendo a diversas medidas culturais, tais como a utilização de variedades resistentes a pragas e/ou doenças, as rotações, as consociações e a instalação de sebes vivas, entre outras. Utilizam-se também métodos de luta tais como a luta biológica, a captura em massa com atrativos alimentares e/ou sexuais, o uso de feromonas para impedir o acasalamento de pragas (confusão sexual), métodos que não fazem qualquer recurso à aplicação de pesticidas.

Quando a combinação dos métodos preventivos aplicados não é suficiente para evitar prejuízos significativos, em função da pressão da praga ou doença, e só em último recurso, podem aplicar-se produtos fitofarmacêuticos de origem mineral, vegetal, animal ou microbiana, em número reduzido e de impacto ambiental, toxicológico e ecotoxicológico mínimo ou nulo desde que, simultaneamente:

  • constem no Anexo II do Regulamento CE 889/2008, de 5 de setembro;
  • estejam homologados em Portugal no âmbito da legislação específica.

Os pesticidas de síntese são proibidos salvo exceções (utilizações especiais) e nunca em aplicação direta sobre as culturas ou o solo.

Salientamos que a legislação europeia de Agricultura Biológica inclui apenas uma lista restrita de pesticidas de origem natural: mineral, vegetal, animal ou microbiana, sem perigo para o ambiente e a saúde.

A Agricultura Biológica é um modo de produção que visa produzir alimentos e fibras têxteis de elevada qualidade, saudáveis, ao mesmo tempo que promove práticas sustentáveis e de impacto positivo no ecossistema agrícola. Assim, através do uso adequado de métodos preventivos e culturais, tais como as rotações, os adubos verdes, a compostagem, as consociações e a instalação de sebes vivas, entre outros, fomenta a melhoria da fertilidade do solo e a biodiversidade.

Em Agricultura Biológica, não se recorre à aplicação de pesticidas de síntese sobre as culturas, nem adubos químicos de síntese, nem ao uso de organismos geneticamente modificados. Desta forma, garante-se o direito à escolha do consumidor e é salvaguardada a saúde do consumidor, ao evitar resíduos químicos nos alimentos. É, além disso, salvaguardada a saúde dos produtores, que evitam o contacto com químicos nocivos e preserva-se o ambiente da contaminação de poluentes, cuja atual carga sobre os solos e as águas é, em grande parte, da responsabilidade de sistemas intensivos de agropecuária.

A produção animal biológica pauta-se por normas de ética e respeito pelo bem-estar animal, praticando uma alimentação adequada à sua fisiologia e facultando condições ambientais que permitam aos animais expressar os seus comportamentos naturais e não recorre ao uso de hormonas nem antibióticos como promotores de crescimento.

A Agricultura Biológica é também conhecida como “agricultura orgânica” (Brasil e países de língua inglesa), “agricultura ecológica” (Espanha, Dinamarca) ou “agricultura natural” (Japão).
Na Europa, a Agricultura Biológica é alvo de legislação específica, o Reg. (CE) n.º 834/2007 do Conselho de 28 de junho, relativo à produção biológica e à rotulagem dos produtos biológicos, estabelecendo normas detalhadas cujo cumprimento é controlado e certificado por organismos acreditados para o efeito. Os produtos de Agricultura Biológica são reconhecidos pelo logótipo europeu de Agricultura Biológica.